Observei ao fazer uma palestra no evento Agilidade na Universidade, que houve interesse de algumas pessoas em saber um pouco mais sobre como implantar com sucesso ISO9001 com abordagem Ágil.

Na empresa em que trabalho tivemos uma linha de tempo desde a investigação sobre o framework Scrum, treinamentos até a adoção do mesmo como framework oficial de desenvolvimento.

Quando falamos de organização, não bastar rodar o Scrum e ter o Scrumboard com seus post-its, precisamos formalizar alguns registros para que possamos evidenciar o Planejamento, Execução, Controle e Ação (PDCA).

Decidimos que esses registros seriam gerados pelo Scrum Master e deixar a equipe multifuncional se preocupar apenas com o trabalho de fazer produtos.

Muita gente confunde “framework” com metodologia ou processo. É bom esclarecer que o Scrum é um framework, ou seja, estrutura/forma de trabalhar. Porém o Scrum foi o framework que trabalhei em todos os meus anos de experiência com projetos, que realmente consegue resultado em pouco tempo.

Sobre esse framework identificamos uma camada acima: Desenvolvimento de Projetos. Poderia considerar 3 camadas: Desenvolvimento de Produtos, Desenvolvimento de Projetos e Gerenciamento de Projetos antes de chegar na camada ISO que é uma abrangência maior da organização.

Na camada Desenvolvimento de Produtos nos preocupamos com o framework em si. Pode ser Scrum,  Cascata ou qualquer um que se queira usar.

Na camada Desenvolvimento de Projetos nos preocupamos com os entregáveis das fases Conceito, Planejamento, Implementação e Transferência.

Na camada Gerenciamento de Projetos nos preocupamos com as evidências das tomadas de decisões, reuniões de aprovação de “milestones” (marcos) e decisões de “go-no-go“.

Na figura abaixo a representação hierárquica sobre a ISO, projetos e Framework.

Podemos observar que a ISO está num nível abrangente na organização, pois é necessário que se descreva os Processos Administrativos, de Tecnologia da Informação e de Projetos ou outros mais. Esses processos são descritos através de Procedimentos.

Quando chegamos na área de projetos nos deparamos com situações onde os gerentes aplicam os frameworks específicos de acordo com os tipos de projetos ou departamentos. Não é recomendado criar um Procedimento único que abranja tudo, pois será muito difícil conciliar os registros de processo do modelo cascata com o modelo ágil ou outro modelo. Nessa etapa a sugestão é que o Procedimento de Projetos referencie a Instruções de Trabalho (IT) para a abordagem do framework utilizado. Exemplo: IT Scrum, IT Cascata, IT outro.

Na IT de Scrum podemos gerar como registros de processo alguns artefatos: Product Backlog, Sprint Planning1, Sprint Planning2, Sprint Review, Sprint Retrospective. Nessa camada os principais atores são o Scrum Master e Product Owner.

Na camada de projetos, os registros de projetos independem de scrum ou cascata. São eles: Charter do Projeto, Plano de Projeto, Relatório de Conclusão da Execução, Relatório de Transferência ou outros relatórios existentes. Nessa camada o principal ator é o Gerente de Projetos ou o Project Owner (uma espécie de Scrum Master dos Scrum Masters)

Na camada de decisões, os registros são reuniões de aprovações de milestones, documentos de aprovações em sistemas internos, emails, etc. Nessa camada gerentes de diretores são os principais atores.

Assim fica prático e totalmente exequível a implantação desse modelo normatizado: ISO9001 Ágil.

Caso você ache que vale a pena implementar dessa forma, ao finalizar a implantação deixe seu depoimento para que outros possam compartilhar de tal caso de sucesso, ok?

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