Uma vez, quando participando de um treinamento pela Scrum Alliance, surgiu uma pergunta interessante que gostaria de compartilhar: “o que você acha de uma pessoa participar em paralelo de duas equipes distintas durante um sprint?“
A resposta foi dada através de um exercício:
(a) Pegue uma folha de papel e no lado da frente, divida em 3 colunas e escreva os títulos: alfabeto, numérico e romano. No rodapé do papel escreva “tempo colunas:___”;
(b) Pegue o verso da folha e faça a mesma coisa, porém no rodapé escreva “tempo linhas:___”.
- Marque no relógio o tempo gasto para executar o exercício (a), porém preencha coluna por coluna “a,b,c,d,e,f,g,h,i,j”, “1,2,3,4,5,6,7,8,9,10″, “i, ii, iii, iv, v, vi, vii, viii, ix, x”.
- Depois marque no relógio o tempo gasto para executar o exercício (b), porém preencha linha por linha “a,1,i”, “b,2,ii”,”c,3,iii”, “d,4,iv”, “e,5,v”, “f,6,vi”, “g,7,vii”, “h,8,viii”, “i,9,ix” e “j,10,x”.
- Subtraia o tempo gasto no exercício (b) pelo tempo gasto no exercício (a).
Se o resultado for um número positivo é melhor você trabalhar primeiramente em uma equipe e depois na outra quando terminar seus trabalhos, mas se o resultado der negativo você está apto a trabalhar em paralelo em equipes diferentes.
Pelo histórico este resultado reflete o custo de fazer o trabalho em paralelo, ou seja, na ordem de 50% a mais.
Moral da estória: não é aconselhável fazer coisas diferentes em paralelo porque perde-se um tempo a cada vez que se retoma uma atividade para assimilar onde se tinha parado para poder continuar.
O Scrum é um framework onde acredito que o maior segredo do sucesso das iterações sejam as reuniões diárias da equipe (ou Daily Scrum).
Na reunião diária, o Scrum Master pergunta:
Observe que essas três perguntas são feitas em frente ao Scrum Board (ou dashboard) da equipe e cada membro responde através da ação de mover os post-its. Nessa reunião, as pessoas da equipe têm a oportunidade de saber o que cada um fez, fará e o que deve ser feito para ajudar o progresso da equipe. O melhor é que essa reunião permite que tenhamos um “status” diário. É psicológico o movimento de um post-it, é a sensação de que uma tarefa foi “ëliminada”, concluída ou também o alerta de que precisa-se de ajuda pra continuar alguma tarefa. Seres humanos pensam, se ajudam mutuamente, dão dicas, re-planejam se for necessário. Nenhuma ferramente permite essa interação entre os membros da equipe!
Eu mesmo, quando comecei a praticar Scrum procurei várias ferramentas, testei e até gostei de alguma delas, porém cada vez mais tive certeza que uma ferramenta pode ser utilizada para concentrar informações em um repositório, etc, mas não deixe que cada membro da equipe “aponte” progresso de tarefas sem se reunir com seus colegas diariamente.
SCRUM é um framework.
Scrum consiste em praticar o ciclo PDCA (Plan, Do, Control, Action) em várias iterações chamadas de sprints, com monitoração diária dos trabalhos através de reuniões da equipe e com algumas regras que permitem o sucesso dessas iterações até alcançar o objetivo final: o produto.
A cada iteração, é entregue um incremento de produto. Com essa abordagem é possível alterar os requisitos do produto de uma forma dinâmica e poder verificar o resultado em um curto espaço de tempo.
Papéis no Scrum:
Product Owner (PO): pessoa que se comprometerá com o sucesso do produto.
Scrum Master (SM): pessoa responsável por ajudar a equipe, guiando-os por este processo, removendo impedimentos que bloqueie o progresso da equipe nos trabalhos.
Scrum Team (ST): equipe multifuncional composta por 7 +/- 2 pessoas.
Artefatos:
Product Backlog (PB): é a lista priorizada de ítens que compõem o produto em sua totalidade. Essa lista pode ser quebrada em “features” descrita de uma forma que seja demonstrável ao término de cada trabalho executado. É um FBS (Feature Breakdown Structure).

Selected Product Backlog (SPB): é uma porção do PB escolhida para ser trabalhada em um sprint.

Sprint Backlog (SB): é a lista de tarefas, do SPB, definidas pela equipe. É uma WBS (Work Breakdown Structure)

Impediment Backlog (IB): é uma lista de impedimentos de realizar os trabalhos para entrega do SPB, levantado pela equipe ao SM para que sejam removidos, permitindo assim o sucesso do trabalho da equipe.
Framework:
Estimation Meeting: reunião onde a equipe estima do tamanho relativo de cada item do PB gerado pelo PO. Após essa reunião O PO re-reavalia o PB estimado e re-prioriza, se for o caso.
Sprint Planning1: reunião para definição da programação do sprint e escolha do SPB.

Sprint Planning2: reunião para levantamento de tarefas (SP) a serem executadas de cada item do SPB.

Sprint: é um período fixo (2 a 6 semanas) onde serão executados trabalhos escolhidos do PB e demonstrados para o PO ao término desse período.

Daily Scrum Meeting: reunião diária entre o SM e ST para sincronismo de trabalhos entre membros da equipe e levantamento de impedimentos a serem trabalhados pelo SM para tentar solucionar o mais rápido possível.
Sprint Burndown: gráfico que mostra a evolução dos trabalhos executados em um sprint.
Sprint Review: reunião de demonstração dos trabalhos executados ao longo de um sprint.

Product Burndown: gráfico que mostra a evolução do PB ao longo de vários sprints.
Sprint Retrospective: reunião onde a equipe relata os eventos importantes, sucessos e sugestões de melhoria para produtividade da equipe.

O que PODE ser considerado atividade de P&D:
|
Item |
Comentário |
|
Criação de novos produtos de hardware e/ou software |
Se a obrigação for gerada em Manaus pode fazer HW de qualquer coisa mesmo que não seja produto de TI. Fora de Manaus, como a Lei é um pouco diferente, só pode se for HW de produto de TI. |
|
Criação de processos/componentes inovativos/novos |
Ele só está enfatizando que o investimento não está limitado somente a produto final e processos. Todos esses processos (fabril, software, desenvolvimento) podem ser considerados. Mas tem que ser inovador. No caso de processo fabril tem que ser inovador mesmo. Porque os analistas do relatório ficam mais atentos ao que parece “mutreta”, então se disse que fez inovação em processo fabril, os analistas irão verificar com muito mais cuidado se foi inovação mesmo. |
|
Suporte a atividades de treinamento relacionadas a TI/Telecom em universidades locais e para pessoal de P&D |
É treinamento, com foco em P&D de TI (Em Manaus não necessariamente TI), do pessoal de R&D nas universidades locais. A idéia é estimular convênios com instituições locais em treinamento. |
|
Suporte a “Programas Prioritários” orientados pelo Governo (MCT e Suframa) |
É que já existem os tais “programas prioritários” do governo. São áreas que o governos considera cruciais para o desenvolvimento, infra-estrutura, do país. Ou seja, se a empresa quiser aplicar a verba de P&D em projetos ligados a esses programas, não só é permitido como até estimulado. |
|
Pagamento do FNDCT (“Fundão”) → obrigação legal a fazer trimestralmente. |
Ele quis dizer que se você quiser pode dar 100% para o governo, que ele aceita. E você cumpre a sua obrigação com a Lei. |
O que NÃO PODE ser considerado atividade de P&D:
|
Item |
Comentário |
|
Atividades de implantação de novos produtos |
Normalmente essas são atividades de Engenharia de Produtos ou Engenharia de Fábrica em uma indústria. |
|
Replicação de produtos ou processos existentes, mesmo que sejam novos no Brasil |
A idéia de quem escreveu seria evitar a reprodução de alguma coisa que já existe, seja produto ou processo. Ou seja, sem inovação. Mas na prática é difícil o analista saber se já existe ou não. Sempre é possível “provar” que se agregou alguma coisa diferente. Esse tópico não dá pra levar ao pé-da-letra. Nesse caso quem faz a análise tende a ficar mais atento quando se trata de processo fabril. Porque as vezes o pessoal tenta “aplicar” dizendo que está inovando com um novo tipo de processo, para poder gastar o P&D na manufatura. Mas só está reproduzindo um processo que já existe na matriz, por exemplo. Um caso é o tal lean-manufacturing ou a montagem em celula. Ninguém no MCT cai mais nessa conversa. |
|
Despesas com manufatura e/ou serviços de reparação |
Gastos de manufatura ou assistência técnica. |
|
Despesas relacionadas a manufatura (ex. Cobrança única de um componente de software) |
Se refere ao pagamento de licença, royalties, coisas desse tipo sobre o SW que você usa no seu produto, que não poderia ser pago usando a verba do P&D. |
|
Atividades de P&D executadas fora do Brasil |
A regra geral é “Atividades de P&D feitas foram do Brasil não são elegíveis, não pode usar o dinheiro da obrigação gerada aqui para pagar”. Mas a lei permite os chamados “convênios inter-regionais e internacionais”. Com a condição de que a parte principal do projeto seja feito localmente, e o que for pedido para o parceiro desenvolver seja algo que você não tenha condição de desenvolver localmente. Se atender a essas condições você pode enviar até 20% do total da obrigação para fora de Manaus. |
Para não esquecer/perder meu acervo de assuntos, tenho o costume de publicar para compartilhar e exercitar minha mente.